
Cantanhede · Portugal
A Nossa Praia
História & Identidade
Uma aldeia de pescadores que virou praia
Chamava-se Palheiros da Tocha. No início do século XIX, pescadores vindos do norte do país chegaram a estas dunas da costa de Cantanhede e ergueram as primeiras casas de madeira de pinho — os palheiros. Com paredes que cheiravam a resina e telhados encarnados, eram ao mesmo tempo armazém e abrigo durante a temporada de pesca.
O som que acordava a aldeia era o do búzio — uma concha soada às 7 da manhã para reunir a companha. Os barcos eram arrastados sobre rolos de madeira até ao mar, e as redes de linho — chegavam aos 600 metros — eram lançadas e depois puxadas à força de braços, com a ajuda de juntas de bois e de quem passasse na praia. A esta pesca artesanal chama-se Arte Xávega, e ainda hoje é praticada na Tocha.
Nos anos 1960, o turismo balnear transformou a aldeia sem lhe roubar a alma. Os palheiros foram recuperados, as ruas de calçada preservadas, e hoje a Praia da Tocha é um dos poucos lugares em Portugal onde o autêntico e o moderno coexistem com naturalidade — emoldurada pelo Pinhal da Gândara, a grande floresta do distrito de Coimbra, junto a 3,5 km de areal dourado e 36 anos ininterruptos de Bandeira Azul.
471
residentes (Censos 2021)
1 118
alojamentos
30%
população com menos de 24 anos
3,5 km
de areal dourado



Características
O que torna a Praia da Tocha única
Surf & Bodyboard
Beach break com ondas para todos os níveis, formadas ao longo do Atlântico Norte. A Associação de Bodyboard dos Palheiros da Tocha promove o desporto de onda desde 1995.
O Pinhal da Gândara
A praia é protegida pelo Pinhal da Gândara — uma floresta de ~500 km² no distrito de Coimbra, criada pelo Plano de Povoamento Florestal de 1938. O que eram dunas de areia móvel que invadiam campos de cultivo transformou-se, graças à engenharia florestal, num dos maiores maciços florestais de Portugal Continental.
Arte Xávega
Pesca artesanal de arrasto com redes de até 600 metros, puxadas à força de braços desde a praia. Uma das maiores atrações turísticas da Tocha, preservada desde o século XIX.
36 anos de Bandeira Azul
Desde 1990, a Praia da Tocha recebe ininterruptamente a Bandeira Azul — 36 anos consecutivos sem interrupção. Detém também a Bandeira das Acessibilidades. A vizinha Praia de Mira é a recordista mundial desde 1987.
Leilão de Peixe na Areia
Após cada saída de pesca, o peixe fresco é separado e leiloado publicamente na praia, perpetuando um ritual comunitário com séculos de história.
Comunidade Viva
A freguesia da Tocha tem cerca de 4 000 habitantes. Com o turismo do verão, a Praia da Tocha transforma-se num ponto de encontro entre residentes e visitantes de todo o país.
Cronologia
Dois séculos de história
Os primeiros palheiros
Pescadores vindos do norte de Portugal estabelecem-se nas dunas da Tocha, erguendo os primeiros palheiros — construções provisórias de madeira de pinho que, com o tempo, se tornaram moradias permanentes. O búzio assoprado às 7h da manhã reunia a companha para a faina.
A Arte Xávega floresce
A pesca de arrasto com redes de linho de até 600 metros torna-se a principal atividade. Os barcos eram arrastados em rolos de madeira até ao mar, e as redes puxadas por juntas de bois e dezenas de homens e mulheres. O peixe era leiloado publicamente na areia no fim de cada faina.
Nasce a estância balnear
O boom do turismo de "Sol e Praia" transforma os Palheiros da Tocha numa concorrida estância balnear. A aldeia ganha infraestruturas e o nome oficial muda para Praia da Tocha, mantendo porém a arquitetura dos palheiros.
Primeira Bandeira Azul
A Praia da Tocha recebe pela primeira vez a Bandeira Azul da Europa, certificando a qualidade da água balnear, a limpeza do areal e as infraestruturas de apoio. Desde então, o galardão nunca mais foi perdido.
Desportos de onda
É fundada a Associação de Bodyboard dos Palheiros da Praia da Tocha, que impulsiona o surf e o bodyboard como atividades de referência na Costa de Prata.
Centro de Interpretação da Arte Xávega
É inaugurado o Centro de Interpretação da Arte Xávega, preservando a dimensão etnográfica e cultural desta pesca artesanal para as gerações futuras.
36 anos consecutivos de Bandeira Azul
A Praia da Tocha alcança 36 anos seguidos de Bandeira Azul — uma das sequências mais longas de Portugal, a par da vizinha Praia de Mira, recordista mundial com galardão ininterrupto desde 1987.
Tradição Viva
Centro de Interpretação da Arte Xávega
Inaugurado em 2016, o Centro de Interpretação da Arte Xávega preserva e divulga a história desta pesca artesanal única. Podes visitar o centro, ver os barcos típicos e perceber como a Tocha foi moldada durante dois séculos pela vida da faina.
1816
início estimado da Arte Xávega na Tocha